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Casa 141 amplia espaço para a cena independente de Salvador e mira novo momento como centro cultural


Em um endereço que já atravessou diferentes fases da noite e da música alternativa de Salvador, a Casa 141 vive atualmente um novo capítulo. Sob uma nova gestão, o espaço localizado no Rio Vermelho vem ampliando sua programação e abrindo as portas para bandas autorais, artistas novos e diferentes vertentes da cena independente da cidade.

Para entender melhor esse novo momento, o Ruído Equalizado conversou com Dea, que está à frente da atual gestão da Casa 141. Com trajetória ligada à cena musical de Salvador, ela também passou por bandas como Lou e Lilit, experiências que ajudam a contextualizar sua relação com a música independente e com os artistas que hoje encontram espaço na programação da casa.

A atual gestão chegou à casa a partir de uma conversa iniciada ainda na administração anterior. Dea conta que já tinha interesse em assumir o ponto quando Tony, que participou da primeira gestão do espaço, avisou que pretendia deixá-lo. O processo, porém, acabou acontecendo antes do previsto.

"Tony, que fez parte da primeira gestão, me avisou quando ia passar o bar. Eu disse a ele que tinha interesse em pegar o ponto e falei que em março, para mim, estava tudo OK", conta.

Antes disso, o espaço passou pela gestão do Discodelia. Quando chegou o momento de uma nova transição, a própria equipe que estava à frente da casa procurou Dea, já sabendo do seu interesse. A preocupação em manter compromissos previamente assumidos com produtores e artistas também fez parte do processo de mudança.

Dea, um dos nomes à frente da cena independente de Salvador
- Foto: Ruído Equalizado / Raphael Maiffre


Para a nova gestão, a Casa 141 tem como uma de suas principais missões funcionar como um espaço dedicado à diversidade da produção independente. A proposta passa por receber diferentes segmentos da música alternativa, indo do metal e punk ao hardcore e hip hop.

"A Casa 141 se dedica à cena alternativa, à cena independente, à cena metal, à cena punk, à cena HC, à cena hip hop. A ideia é fortalecermos entre todos e expandir a atuação da Casa 141".

Mais do que simplesmente disponibilizar uma agenda para shows, a intenção é fazer com que o espaço se torne uma referência para artistas que estão começando e também para bandas que vêm de outras cidades. A existência de uma suíte no próprio local, segundo ela, também contribui para tornar a casa uma alternativa para grupos de fora que desejam tocar em Salvador.

"Queremos dar e ser o espaço para artistas novos. Queremos ser um ponto de referência na cena alternativa, um lugar onde tocam bandas locais e que bandas de fora possam vir tocar suas músicas para o seu público aqui também".

A programação, entretanto, não é pensada exclusivamente pela própria equipe. Parte da agenda é construída em parceria com produtoras e outros agentes da cena, enquanto alguns eventos são elaborados diretamente pela casa. Para Dea, ainda existe um potencial significativo a ser explorado.

A Casa 141 vem reunindo diferentes tribos ao longo de 2026 
- Foto: Ruído Equalizado / Raphael Maiffre


"Existe um potencial ainda não explorado na Casa. Muitos dias da semana a casa fica fechada e a gente quer ampliar a nossa grade de atuação, atrações e de eventos", afirma.

Essa expansão também aponta para uma visão que vai além da tradicional casa de shows. A ideia é ocupar o espaço em diferentes horários e receber atividades que possam aproximá-lo de um modelo de centro cultural.

"Queremos ser um centro cultural com atividades durante o dia também", comenta Dea. "Quem faz parte, quem quiser fazer parte desse movimento pode procurar a gente, que temos o maior interesse em diversificar e expandir a nossa atuação".

Manter uma estrutura desse tipo funcionando, porém, envolve desafios que vão muito além da construção de uma boa programação. Para Dea, a principal questão é justamente fazer com que a operação seja financeiramente sustentável.

"O principal desafio é ser viável financeiramente, ser capaz de pagar todas as despesas e as pessoas envolvidas; desde nossa equipe, passando por colaboradores externos e até músicos", explica.

Além dos pagamentos relacionados à programação e à equipe, existem os custos permanentes de manutenção da casa e dos equipamentos. Nesse cenário, o consumo do público dentro do próprio estabelecimento passa a ter um papel importante na manutenção da estrutura que permite que os eventos aconteçam.

"Apoiar o underground e a cena passa por apoiar o espaço. Isso é algo que acontece muito na nossa Casa e no Brothers of Metal. Se você não apoia o underground, como você espera que os lugares permaneçam?", questiona.

A banda Leptospirose de São Paulo se apresentou recentemente na Casa 141
- Foto: Ruído Equalizado / Raphael Maiffre


Ainda nos primeiros meses da atual administração, Dea reconhece que a Casa 141 está apenas começando a explorar as possibilidades do espaço. A intenção para os próximos anos é ampliar essa atuação, recebendo artistas de diferentes lugares e abrindo cada vez mais espaço para propostas musicais diversas.

"Nós realmente queremos nos tornar um ponto de referência da cena alternativa de Salvador e queremos estar cada vez mais abertos às propostas diferentes. Queremos receber artistas do interior, do Brasil e até de fora. Queremos ser um espaço aberto para toda a diversidade musical que existe".

"Queremos ser um espaço de encontro e também um espaço de começos para artistas novos e para o público que os acompanha", resume Dea. "Queremos ser o espaço que acolhe os artistas, vibra com a música e transborda sentimentos. Queremos que o público e os músicos se sintam em casa.".

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